Cine PE 2010 – Sexta noite

Perdi a quinta noite do festival, mas a sexta foi recompensadora, com curtas mais vivos e interessantes, foi a sessão mais bem balanceada de todas. Também ouvi exibição do longa Quincas Berro D’Agua.

Áurea (Digital, Ficção, Direção: Zeca Ferreira, 16’, RJ)
Um dos melhores filmes de todo o festival, Áurea é uma homenagem a uma cantora da noite carioca. Muito contido, o filme mescla documentário, com situações ficcionais forjadas, e não se estende além do necessário. Áurea é uma pessoa da noite, e e lá que ela deve brilhar.

Família Vidal (Digital, Documentário, Direção: Diego Benevides, 15’, PB)
Mais um documentário sobre famílias circenses, Família Vidal cativou por ter personagens realmente interessantes. Não me ganhou, mas foi um dos documentários mais interessantes exibidos por lá.

Geral (35 mm, Documentário, Direção: Anna Azevedo, 14′, RJ)
Registro dos últimos jogos em que funcionava a Geral do Maracanã, espaço em que os torcedores viam os jogos em pé, na mesma altura do campo. É um filme apaixonado pelo futebol, mas que tem problemas óbvios de som e fotografia. À parte isso, fez o público vibrar.

Nego Fugido (35 mm, Ficção, Direção: Cláudio Marques e Marília Hughes Guerreiro , 16′, BA)
Segunda vez que vejo Nego Fugido, e o filme só melhorou. Uma visão limpa dos costumes folclóricos no interior da Bahia, do ponto de vista de uma moça, incomodada com a imersão do namorado na brincadeira do Nego Fugido. Um filme quase naturalista em sua execução, e lindamente fotografado. Outro ponto importante a ser notado é o som, dos melhores que ouvi nos últimos anos.

Um Médico Rural (35 mm, Ficção, Direção: Cláudio G. Fernandes, 21′, PE)
Mais um daqueles exemplares de vergonha alheia pra Pernambuco. O filme foi apresentado com uma enorme pompa e glórias de “grande curta pernambucano”, mas durante a exibição tudo o que ficava era uma grande interrogação. O filme tem atuações amadorísticas e um roteiro que beira o insano e isso não é um elogio mesmo tendo sido baseado em Kafka. A fotografia pode ser um ponto interessante, mas com tantas coisas ruins a serem notadas não sobrou espaço.

Homem-Bomba (35 mm, Ficção, Direção: Tarcísio Lara Puiati, 13′, RJ)
Filme carioca sobre os efeitos do tráfico e dos códigos internos de regimento num morro. Duas crianças que trabalham para a boca de fumo local passam os dias em seu posto de vigia observando a movimentação e falando sobre suas concepções da vida. O filme seria melhor se a atuação dos meninos tivesse sido mais trabalhada, já que em boa parte do tempo eles soam forçados. Mas o texto é muito bom, o que diminui essa perda.

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