(Visto no Cinema da Fundação)
Quem estava familiarizado com o cinema do Fatih Akin estranhou seu novo projeto já pelo trailer. O filme cheio de cores vivas e personagens caricatos, em nada parecia com os projetos anteriores do diretor, onde a dureza e a humilhação eram pontos sempre onipresentes. A surpresa se completou quando, ao ver o filme, descobrir que Akin não tinha errado a mão ao sair um pouco de seu terreno. Soul Kitchen é um filme divertidíssimo e que não deixa de ser um trabalho muito pessoal.
Akin ficou conhecido internacionalmente com “Contra a Parede”, filme polêmico por retratar questões de xenofobia e vício numa Turquia que não recebeu muito bem o produto (a protagonista do filme teve que deixar o país). Depois do sucesso, fez um documentário sobre música turca, e em seguida se jogou num roteiro cheio de tramas paralelas internacionais que remetia a Babel. “Do Outro Lado” fez relativo sucesso, mas foi uma ligeira decepção se comparado ao anterior.
Após alguns curtas em compilações, o diretor voltou ao longa-metragem para rever um gênero do qual ele havia apenas chegado perto em “Em Julho”, a comédia. E o resultado foi interessante. O filme conta a história de Zinos, imigrante grego morando na Alemanha e seu quase falido restaurante, o Soul Kitchen do título. Seu irmão, Illias é um presidiário em condicional que finge trabalhar no restaurante do irmão para poder sair durante o dia. Depois que a vigilância sanitária adverte o local por falta de limpeza, e a prefeitura da cidade vem cobrar altos impostos, Zinos decide que é hora de fechar o local, mas Illias acaba trazendo mais clientes para o local.
A partir daí o restaurante vira febre na cidade. Todos querem participar das festas, comer os pratos incríveis do genioso chef Shayn, e dançar ao som das bandas que tocam no local. Zinos, que perdeu a namorada para um emprego na China, já não mais pretende largar o local, mas uma série de eventos acaba pondo o negócio em risco.
A sutileza do roteiro de Akin é sentida quando você se percebe rindo das mais esdrúxulas e banais situações, e mesmo apelando para clichês é impossível resistir. A atuação de Adam Bousdoukos como o abobalhado, porém sempre gentil Zinos é uma atração à parte. Com trejeitos típicos de roqueiro barrigudo filho dos anos 80, Bousdoukos também escreveu parte do roteiro, o que se percebe na fluidez de suas ações e diálogos, em especial o fato de ele passar 70% do filme mancando por ter lesionado a coluna. Moritz Bleibtreu e Birol Unel como Illias e Shayn também são duas das figuras mais interessantes do longa, recheado de coadjuvantes modestos mas que roubam a cena enquanto podem.
A trilha sonora é um capítulo à parte; parece ter sido escolhida a dedo no melhor estilo Tarantino. Recheada de clássicos do funkadelic e da disco music, o cd com as músicas já vendeu milhares de cópias na Europa. Aqui vão algumas músicas:
No geral, é bom salientar que o filme não esta livre de críticas, Akin criou situações tão improváveis, que podem incomodar o espectador mais exigente, mas a dica é desligar o cérebro e saborear a sessão como um bom prato de qualquer que seja o seu preferido.
A cena: Look what you’ve done Manolis!
Diretor: Fatin Akin
Elenco: Adam Bousdoukos, Moritz Bleibtreu, Birol Ünel
Gênero: Comédia
Duração: 99 minutos, Cor, 35mm
Ano: 2009
País de Origem: Alemanha
IMDB: http://www.imdb.com/title/tt1244668/
Arquivado em: no cinema, x Fatih Akin



Minha mulé falou benzão desse ai.
Baixarei. :B
Acredita que gostei mais de “Auf der Anderen Seite” do que de “Gegen Die Wand”? A arte tem dessas coisas, cada pessoa se conecta com ela de um jeito.
“Soul Kitchen” achei divertido, mas confesso que prefiro o viés mais dramático do diretor.